Saúde e Bem Estar na Educação Infantil

Hoje nós estamos reunidos aqui para falar sobre “Saúde e Bem Estar na Educação Infantil”, sem dúvida é um tema muito importante e não tão evidente, um pouco esquecido talvez, por-isso acreditamos que este encontro será rico para todos. O encontro e as trocas de experiência.

Eu gostaria de chamar atenção de vocês para o fato de que irão falar sobre Saúde e Bem Estar, duas pedagogas e uma psicóloga, e hoje isto é possível, sabem por quê? Porque este conceito se ampliou.

Segundo a professora Damaris Maranhão:

“Um ponto muito importante na reflexão é a organização das instituições de Educação Infantil hoje, é retomar a relação entre saúde, qualidade de vida e processos de aprendizagem e desenvolvimento da criança pequena…

Isso é reforçado por estudos recentes, que têm considerado as relações da saúde com a produção social e econômica da sociedade, articulando aspectos históricos, econômicos, sociais, culturais, biológicos, ambientais e psicológicos que configuram os modos e estilos de vida. Com isso as políticas públicas de saúde objetivam não apenas previnir e tratar doenças, mas promover a qualidade de vida.”

Gostaríamos de destacar também:

O conceito de Qualidade de Vida segundo a OMS:

“Qualidade de vida é definida pelos especialistas da Organização Mundial da Saúde como um conceito multidimensional dependente de uma percepção pessoal de bem estar psicofísico, possibilitado pelas condições ambientais, organização dos serviços e instituições, dos modos de vida e práticas culturais de cuidado pessoal.”

Segundo a Carta de Otawa, documento produzido na I Conferência Internacional de Saúde realizada no Canadá em 1986.

“A saúde é o maior recurso para o desenvolvimento social, econômico e pessoal, assim como uma importante dimensão da qualidade de vida. Fatores políticos, econômicos, sociais, culturais, ambientais, comportamentais e biológicos podem tanto favorecer como prejudicar a saúde. As ações de promoção da saúde. As ações de promoção da saúde objetivam, através da defesa da saúde, fazer com que as condições descritas sejam cada vez mais favoráveis.”

O que podemos observar é que a definição sobre o que envolve e promove a saúde se ampliou. Hoje não se considera SAÚDE apenas as doenças, suas possibilidades de cura e prevenção.

Hoje existe a consideração sobre a rede de relações em que um indivíduo ou uma população está inserido; nos aspectos biológicos, culturais, psíquicos e sociais – todos em relação, ou seja, se influenciando mutuamente.

A tentativa de apreensão desta complexidade é o que chamamos, hoje, de Qualidade de Vida, e temos a Saúde como um importante aspecto deste conceito mais abrangente.

Viemos contar um pouco da história de nossa experiência e tentar ilustrar a complexidade destas relações.

Descrição de Nossa Experiência

Quando cheguei à escola, no início de 2006, era comum ouvir as professoras contarem “casos” de crianças com problemas de relacionamento e disciplina. Um dos relatos mais marcantes refere-se a “Caio”, um menino de 6 anos, que em um, dos muitos “ataques que teve na escola”, chegou a destruir a sala da coordenadora porque desejava ir embora para sua casa e não podia. Ou mesmo de um grupo de  crianças que decidiram  jogar pedras nas educadoras que ousassem  se aproximar para retirá-las de  perto da horta da escola.

O fato é que o cotidiano na instituição era altamente sistematizado sob a forma de planejamentos, que encadeavam atividades formais de aprendizagem, na maior parte do período escolar. A maioria destas atividades se davam dentro de sala de aula, e o tempo no parque costumava ser de 35 min a 40 min.

Ao assumir a coordenação da escola, nas conversas com as educadoras de cada grupo etário, as orientações foram o seguinte:

  • passar longos períodos no parque (até 2 horas),
  • oferecer atividades às crianças ao longo deste período,
  • as crianças não precisavam participar das atividades se não desejassem.

Já nos primeiros meses as educadoras passaram a comentar naturalmente a respeito das mudanças. As crianças já não brigavam tanto, não fugiam da sala no momento das  atividades, e se machucavam menos.

As mordidas, muito frequentes na faixa etária de 0 a 3 anos, também haviam diminuído bastante.

O grupo de crianças com dificuldades na adaptação, ou seja, extremamente retraídas e que chegam até a poder parar de brincar, ficando sempre junto às educadoras, também chegou a perto de zero.

Estes resultados foram expressivos e também se estenderam ao grupo de educadoras, que relataram se sentir mais próximas das crianças e mais tranqüilas para a realização do trabalho.

Foi interessante observar que esta simples forma de organização atravessou a escola, tocando diferentes instâncias.

Através do que foi vivido por nós e da potência do que pudemos observar, aprofundamos este trabalho, acompanhando suas implicações na possibilidade de desenvolvimento de nossas crianças e da instituição.

Sendo assim, ao final de 2006 criamos uma nova forma de organização,  para nosso cotidiano na escola,  porém intimamente  relacionada a nossa experiência de então:

OS Núcleos Coletivos para o Parque

Onde:

  • uma forma de organização do cotidiano para o oferecimento de atividades,
  • onde a maior parte das ações educativas é coletiva, já que as crianças de diferentes faixas etárias (um ano e um mês a três anos e 11 meses) passam mais tempo no parque juntas do que dentro de sala de aula,
  • as atividades são oferecidas por temas, as crianças podem escolher participar ou não.
  • são os temas: Artes, Intervenções e Materiais, Brincadeiras, Corpo e Histórias, Parlendas, Poesias, Adivinhas e etc

Objetivos  gerais

  • proporcionar diversas atividades e materiais de livre acesso às crianças de forma coletiva,
  • respeitar o interesse e engajamento das crianças em relação as atividades oferecidas,
  • proporcionar materiais e atividades que contribuam para o desenvolvimento integral das crianças, ou seja, nos aspectos  psicofísico e cognitivos,
  • coletivizar nossas ações educativas dentro da escola.

“As instituições de Educação Infantil que possibilitam às crianças interagir e ter acesso a aprendizagens significativas e cuidados profissionais de boa qualidade criam condições inegáveis de promoção do desenvolvimento integral e promovem relações saudáveis.”

GOMES MARANHÃO, Damaris. ANAIS DO I SEMINÁRIO NACIONAL: Currículo em Movimento – Perspectivas Atuais Belo Horizonte, novembro de 2010

Como nosso projeto institucional e pedagógico promove: saúde, qualidade de vida e aprendizagens

  • a organização da rotina prevê liberdade e autonomia de escolha por parte das crianças,
  • o oferecimento das atividades nos Núcleos Coletivos Para o Parque é rica nas possibilidades de atividades, na interação social e na liberdade  de escolha e autonomia,
  • diminuição da conteção e controle, gera relações de convívio mais saudáveis  tanto para as crianças como para as educadoras,
  • o educador  tem mais tempo para estar com as crianças, dar atenção e acolhimento, no ambiente coletivo, atender demandas individuais,
  • as crianças tem a possibilidade de exploração, liberdade de escolha e autonomia,
  • o brincar é respeitado em sua dimensão natural: quem brinca, escolhe do que brincar, com quem brincar e por quanto tempo desejar…
  • o não confinamento excessivo contribui para a saúde do sistema respiratório,
  • poder conviver em um espaço grande, de terreno acidentado, rico em propostas, com a possibilidade de correr, pular, brincar contribui para o desenvolvimento motor das crianças,
  • a intensa troca social, no convívio de diferentes faixas etárias, promove aprendizagens  entre pares, extremamente significativa para as crianças …

Como a criança aprende sobre o cuidado de si ?

  • sendo cuidado,
  • recebendo atenção,
  • sendo acolhido,
  • sendo ajudado por parceiros mais competentes  em sua higiene pessoal (crianças mais velhas e educadoras)
  • sendo ajudado em seu cuidado pessoal (aparência)
  • vivenciando os hábitos de higiene em sua rotina…

Parceria com a Universidade UNISA-Enfermagem

Breve Descrição

A professora Damaris Maranhão vem semanalmente ao CEI Manoel Bispo dos Santos com seu grupo de alunos, para realizar o estágio  denominado consulta de enfermagem. Este estágio prevê examinar as crianças e de acordo com os procedimentos da enfermagem observar o seu desenvolvimento.

As educadoras, por sua vez, ao observarem seus alunos, muitas vezes manifestam o desejo de que esta criança passe pela consulta que o estágio oferece. É interessante observar que muitas vezes não é uma demanda física que as leva a procurar a Professora Damaris e seu grupo de alunos, muitas vezes é algo  relacionado ao comportamento que lhes chama atenção por algum motivo.

Após a consulta ser realizada, os alunos seguem fazendo uma pesquisa sobre as questões apresentadas por seus “pacientes” e elaboram uma devolutiva que é apresentada as educadoras, as gestoras da escola e algumas vezes aos pais. Quando se faz necessário, a depender das questões detectadas pelo grupo de alunos, articula-se um encaminhamento para algum serviço que possa cuidar mais profundamente da questão. Por exemplo:

  • . baixo peso – CREM
  • . suspeita de autismo – Lugar de Vida (USP)

Consideramos esta parceria muito rica e útil para a comunidade que atendemos.

Autoras:

Vera Christina Figueiredo é psicóloga,  trabalha há 18 anos com educação infantil, já foi educadora de sala, é educadora-formadora, desenvolveu o projeto Institucional e Pedagógico do Grão da Vida junto à sua equipe e faz a orientação do mesmo.

Nataly Medeiros Simões é pedagoga, trabalha há onze anos com educação infantil, foi educadora de sala, é educadora-formadora e também coordenadora pedagógica do CEI Marina Villares Novaes, pioneira na implementação do Projeto Grão da Vida nesta nova unidade.

Samanta Veiga é pedagoga, trabalha há 15 anos com Educação Infantil, foi educadora de sala, hoje é coordenadora de projetos do Grão da Vida, sendo responsável por diversas áreas de nossa atuação: comunicação e registro, pesquisa e formação de professores. É a orientadora pioneira na implementação do projeto Institucional e Pedagógico no CEI Marina Villares Novaes.

Jacira Rocha é pedagoga, trabalha há 9 anos com educação Infantil, foi educadora de sala. É educadora-formadora, especialista em cultura da infância e coordenadora pedagógica do CEI Manoel Bispo dos Santos, nossa primeira unidade.

Maricélia Rocha é pedagoga, trabalha há 15 anos com educação infantil, é educadora de sala, educadora-formadora, especialista em cultura da infância.

Carmem Lucia Matias é pedagoga, trabalha há 15 anos com educação infantil, é educadora de sala, educadora-formadora, especialista em cultura da infância.

 Vera Christina Figueiredo

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